domingo, 10 de junho de 2018

"JUANA INÊS"

"Juana Inês", Série que mostra uma das encarnações de Joanna de Ângelis estreia na Netflix - ASSISTA AO TRAILER
A Netflix adquiriu os direitos da série "Juana Inês", produção do canal mexicano de televisão Once. A série conta a história da freira Juana de La Cruz, filósofa e escritora tida como uma referência do início da Literatura mexicana na língua espanhola.
Juana de Asbaje / Juana Inês de La Cruz foi uma das encarnações de Joanna de Ângelis
“No século XVII (em 1651, no México) o Espírito que fora Joana de Cusa (na época de Jesus), reaparece no cenário do mundo na personalidade de Juana de Asbaje y Ramirez de Santillana que, mais tarde, por questões de ordem religiosa, viria adotar o nome de Sóror Juana Inês de lá Cruz.
Veio ao mundo para dedicar-se mais uma vez à prática do Bem
Aos três anos, aprende as primeiras letras e aos cinco começa a fazer versos.
Indo para a capital mexicana, a menina-prodígio – como era conhecida – recebe o convite do marquês de Mancera (que pretendia criar uma corte brilhante, na tradição europeia) para ser dama de companhia de sua mulher.
Na corte, encantou todos com sua beleza, inteligência e graciosidade, tornando-se conhecida e admirada pelas suas poesias, seus ensaios e peças bem-humoradas, que a levariam mais tarde a ser considerada a maior poetisa da língua hispânica.
Aos dezesseis anos, com imensa sede de saber, deixa a vida da corte para ingressar no Convento das Carmelitas Descalças. Mais tarde, seguindo orientação do seu confessor, transfere-se para a Ordem de São Jerônimo na qual contaria com maiores recursos para cultivar o estudo das letras e da Ciência. Nessa época, foi que adotou o nome religioso, conforme registramos em linhas precedentes.
Como Sóror Juana Inês de lá Cruz, viveu uma vida dedicada aos estudos, às pesquisas e ao combate aos preconceitos, inclusive dentro da própria igreja. Um exemplo disso, foi a carta que recebeu do bispo de Puebla, na qual aconselhava que ela se dedicasse mais às questões religiosas em vez de se preocupar tanto com os problemas e as carências da sociedade. Ela respondeu ao prelado com diplomacia e desenvoltura, fazendo uma brilhante defesa da necessidade de o conhecimento geral para melhor entender e servir a Deus, defendendo o direito da mulher de se dedicar às atividades intelectuais.
Segundo o escritor e crítico Alberto Salceda, essa missiva de Sóror Juana é a “Carta Magna da liberdade intelectual da mulher americana. ” Defende o direito da mulher inteligente e capaz de lecionar e pregar livremente.
Em 1695, houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante todo o dia as suas irmãs religiosas que, juntamente com a maioria da população, estavam enfermas. Foram morrendo, aos poucos, uma a uma das suas assistidas e quando não restavam mais religiosas, ela, abatida e doente, tombou, vencida, aos quarenta e quatro anos de idade. ”
Joanna de Ângelis é a guia espiritual do médium espírita brasileiro Divaldo Franco, entidade à qual é atribuída a autoria da maior parte das suas obras psicografadas. A obra mediúnica de Joanna de Ângelis é composta por dezenas de livros, muitos deles traduzidos para diversos idiomas, versando sobre temas existenciais, filosóficos, religiosos, psicológicos e transcendentais.
Dentre as suas obras destacam-se as da Série Psicológica, composta por mais de uma dezena de livros, nos quais a entidade estabelece uma ponte entre a Doutrina Espírita e as modernas correntes da Psicologia, em especial a transpasso-a e junguiana. Sucessivas encarnações Juana de Asbaje. Segundo Divaldo Franco, em sua primeira manifestação, a 5 de dezembro de 1945, Joanna de Ângelis se apresentou com o…
Conforme O Livro dos Espíritos, na questão 540 “… tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo”. Porque estamos destinados a ser o sal da Terra e a luz do mundo é que marchamos saindo da menor unidade da matéria – o átomo – evoluindo, mesmo que lentamente para a mais alta escala. “Ao lado de Deus estão numerosos Espíritos chegados ao topo da escala dos Espíritos puros…” 
(Revista Espírita, fevereiro de 1868 – Instruções dos Espíritos). Verdade que as experiências das trajetórias humanas estão permeadas de dor, sofrimento, alegrias, momentos fugazes e momentos que parecem se eternizar. Porém, tudo é aprendizado para encontrar e seguir o caminho da redenção.
Assim é que na trajetória do espírito Joanna de Angelis, depois de sair do átomo e passado pela base da escala, onde estão os Espíritos imperfeitos, vamos encontrar uma vida rica em amor a Deus e ao próximo na busca de tornar-se um Espírito puro, onde atingirá o supremo grau de perfeição.
Nesse processo evolutivo no século I da Era Comum, vamos encontrar uma mulher da classe alta de Cafarnaum, por nome Joana de Cusa, que seguia a Jesus em suas pregações.
“E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o Evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele, e algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens. ” (Lucas 8:1-3).
Joana de Cusa, portanto, estava entre aquelas mulheres que durante muito tempo deram suporte material a Jesus e seus apóstolos, amenizando as necessidades do grupo em sua peregrinação e também esteve aos pés da cruz na hora do martírio de Jesus.
Segundo Humberto de Campos, no livro “Boa Nova”, Joana possuía verdadeira fé; com rara dedicação, nobreza de caráter e exemplo de humildade. E que vergada ao peso das injunções domésticas, angustiada pela incompreensão e intolerância do esposo, que não suportava Jesus, Joana procura o Mestre, que a orienta a servir com amorosa dedicação, sendo fiel a Deus, amando o companheiro do mundo e seu filho. Troça-lhe Jesus um roteiro de conduta que lhe faculta viver com resignação o resto de sua vida.
Como na vida de qualquer um de nós, sempre é chegada a hora do testemunho. Morrendo seu marido, Joana se vê desprovida dos bens materiais, tendo de trabalhar nas casas ricas que antes frequentava como convidada para os banquetes.
Trabalhou até a velhice, quando então foi levada ao circo romano, juntamente com o filho moço, para testemunhar a sua fé em Cristo. E ela, embora as rogativas do filho para que abjurasse a Jesus, contempla o céu, sem uma palavra de negação ou de queixa, e com os olhos abundantes de lágrimas recorda sua existência inteira e responde:
“- Cala-te, meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as felicidades transitórias do mundo, é preciso ser fiel a Deus! ” Ato contínuo, as labaredas consomem o seu corpo envelhecido, liberando uma alma luminosa pela vida de sacrifícios, sublimação e de testemunhos a Jesus.
Emmanuel, em Fonte Viva (lição 67), ensina que ao renovar o nosso modo de sentir, pelos padrões do Evangelho, enxergaremos o Proposito Divino da Vida, atuando em todos os lugares, com justiça e misericórdia, sabedoria e entendimento. É o que ocorreu com Joana de Cusa, que tempos mais tarde, em 1194, na italiana de Assis, está de volta à Terra, com o nome de Chiara d’Offreducci.
É o século das Cruzadas, onde os interesses espirituais foram substituídos pelos interesses comerciais; da perseguição da igreja romana aos infiéis; da Cruzada das crianças organizada pelos bispos Estevão e Nicolau, que tinham a intenção de conquistar a Terra Santa através da entrada dos “puros de coração”, numa demonstração de interpretação equivocada dos ensinamentos de Jesus; do século da instituição e reconhecimento público da inquisição e da transubstanciação, que nasce, cresce e vive Chiara d’Offreducci, mas conhecida como Clara de Assis.
Nascida em família rica, nobre, já bem nova, ainda menina, se mostrava caridosa e respeitava os mais pobres, afinal em encarnação pregressa havia convivido com Jesus, Dele aprendera a verdadeira caridade. Enfrentando forte oposição da família, aos dezoito anos, decide fazer voto de pobreza, então foge de casa, do conforto e segurança de seu lar e se torna discípula de Francisco de Assis.
Pioneira, Clara foi a primeira mulher a aderir aos ideais franciscanos. Mais tarde funda a ordem feminina Franciscana. Clara era exemplo de bondade, amor a Jesus, e com o seu exemplo arrasta os dois irmãos, as duas irmãs e a mãe já viúva, que a ela se juntaram no Convento. Sua fé era inequívoca. Certa feita quando os sarracenos (muçulmanos) tentaram invadir o Convento das Clarissas, Clara de ostensório nas mãos enfrentou os invasores, barrando a entrada e afirmando que Cristo era mais forte que todos eles. Inexplicavelmente, todos foram tomados de grande medo e fugiram sem saquear o convento.
Desencarnada em 1253, no ano de 1255 foi canonizada pelo Papa Alexandre IV. Em uma época em que os mosteiros tinham se transformados em palácios, onde os representantes da igreja eram donos das terras para as quais foram nomeados governadores espirituais, onde corrupção e luxúria eram a tônica, a vida de Clara foi exemplo de vivencia dos padrões do Evangelho.
O tempo passa. Estamos agora no século XVII, e como ensina Emmanuel: “É necessário começar e continuar em Deus, associando nossos impulsos ao plano divino, a fim de que nosso trabalho não se perca no movimento ruinoso ou inútil”. (FV, lição 77).
Nessa linha de pensamento vamos encontrar reencarnada na Terra, dando continuidade ao cumprimento do plano divino, a mesma Joana de Cusa, agora na pele de Juana de Asbaje y Ramirez de Santillana. Nascida em 1651, em San Miguel Nepantla, no México, aprende a ler aos três anos de idade e aos cinco já faz seus primeiros versos. Aos seis anos dominava perfeitamente o idioma pátrio bem como tinha habilidades para os afazeres comuns às mulheres adultas daquela época.
Naquele tempo mulheres não podiam frequentar a Universidade e Juana ficou muito triste por isso, buscando estudar e muitas vezes até por conta própria, aos 12 anos aprendeu latim em vinte aulas e aprendeu português sozinha. Falava também uma língua indígena chamada náhuatl.
Certa feita, o Vice-rei resolveu testar os conhecimentos de Juana, que contava 15 anos de idade. Reuniu 40 especialistas da Universidade do México para interrogá-la sobre assuntos variados.  Durante horas a jovenzinha se submeteu ao interrogatório e terminou sob aplausos.
Porém, Juana não se deixava iludir pelas coisas do mundo. “A fim de se dedicar mais aos seus estudos e penetrar com profundidade no seu mundo interior, numa busca incessante de união com o divino, ansiosa por compreender Deus através de sua criação, resolveu ingressar no Convento das Carmelitas Descalças, aos 16 anos de idade”.
Escasso era o tempo para se dedicar à leitura nas Carmelitas. Juana opta por mudar para a ordem de São Jeronimo da Conceição, onde tinha menos obrigações religiosas, podendo dedicar-se ao estudo das letras e da ciência. É nesse período que adotará o pseudônimo de Soror Juana de La Cruz.
Juana estudava, escrevia poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música sacra. Com frequência recebia, no Convento, visitas dos intelectuais europeus e do novo mundo para o intercâmbio de conhecimentos e experiências. Seus escritos foram popularizados entre estudantes, mestres das Universidades de várias partes do mundo, ficando Soror Juana conhecida como a “Monja da Biblioteca”.
No ano de 1690, Juana defendeu o direito das mulheres se dedicarem a atividades intelectuais.  Escreveu um documento afirmando da necessidade do conhecimento geral para melhor entender e servir a Deus. Esse documento é considerado a Carta Magna da liberdade intelectual da mulher americana. A Revista Seleções do Reader´s Digest, de Julho de 1972, considerou Soror Juana Inês de lá Cruz como a primeira feminista do Novo Mundo.
No ano de 1695 ocorre uma epidemia de peste na região. Juana diuturnamente cuida das suas irmãs religiosas que estavam enfermas. Infelizmente todas foram morrendo, e ela, abatida e doente, desencarna aos 44 anos de idade. Juana foi a mais importante figura da literatura mexicana no período colonial, além disso, é considerada a máxima expressão do barroco no novo mundo, ao lado de outros nomes importantes da literatura castelhana na América dos séculos XVI e XVII. Afirmam seus biógrafos que Soror Juana foi a única ponte literária entre o Novo e o Velho Mundo.
Menendez y Pelayo afirma que os versos de amor profano de Juana, são os mais suaves e delicados que já saíram da pena de uma mulher. Além disso, compara a espiritualidade das canções que intercala sua peça O Divino Narciso com o Cântico dos Cânticos, de Salomão.
Desencarnado, fica o Espírito por um período na erraticidade, conforme aprendemos em “O Livro dos Espíritos”, questões: 223 a 226. Nesse período, o Espírito estuda, aprende, trabalha, enquanto aguarda uma nova oportunidade reencarnatória. Assim é que, desencarnada no ano de 1695, vamos encontrar esse Espírito filiada à equipe do Espírito de Verdade que tinha como missão implantar na Terra, o Consolador prometido por Jesus – a Doutrina Espírita.
É a própria Joana quem nos conta o que ocorreu na espiritualidade, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, no livro “Após a tempestade”:
“Quando se preparavam os dias da Codificação Espírita, quando se convocavam trabalhadores dispostos à luta, quando se anunciavam as horas preditas, quando se arregimentavam seareiros para a Terra, escutamos o convite celeste e nos apressamos a oferecer nossas parcas forças, quanto nós mesmos, a fim de servir, na ínfima condição de sulcadores do solo onde deveriam cair as sementes de luz do Evangelho do Reino. ”
É no Evangelho Segundo o Espiritismo que vamos encontrar a contribuição belíssima de Joana, assinada como “Um Espírito amigo”:
– Cap. IX, item 7, intitulada “A Paciência”, psicografada em Havre, 1862;
– Cap. XVIII, itens 13 e 15, intitulada “Dar-se-á àquele que tem”, na cidade de Bordéus, também em 1862.
A roda do tempo é inexorável, entre reencarnar e desencarnar vai o Espírito evoluindo. Na erraticidade o Espirito pode melhorar-se muito, todavia é na existência corporal que põe em prática as ideias que adquiriu, assim é que tempos depois vamos encontrar a mesma Juana de Cusa na veste carnal de Joanna Angélica de Jesus. Era o ano de 1761, mês de dezembro, na cidade do Salvador – Bahia nascia aquela que na fase adulta se tornaria freira e viria a protagonizar um terrível drama à época da Independência da Bahia.
Aos 21 anos de idade, Joana ingressa no Convento da Lapa, como franciscana. Após o noviciado, foi irmã escrivã, até que vigária pelos muitos méritos galgou a posição de Abadessa em 1815. Madre Abadessa das Religiosas Reformadoras de Nossa Senhora da Conceição, Sóror Joana Angélica de Jesus.
Morre durante combate entre as tropas brasileiras e as tropas portuguesas sob o comando do General Madeira, nos acontecimentos pós “Sete de Setembro”, passando para a História como heroína da Independência do Brasil. Logo após o dia do “Fico” do príncipe D. Pedro, havia grande animosidade entre Portugal e Brasil que voltava a ser colônia de Portugal. Brasileiros e portugueses se digladiavam nas ruas. O clima era de guerra.
Na Bahia as tropas do coronel Inácio Luís Madeira de Melo venceram e tomaram a cidade das mãos dos brasileiros. Com os marujos, os soldados de Madeira comemoram a vitória, quando embriagados resolvem promover um quebra-quebra na cidade além de insultar as famílias. Foi um dia de terror. Os soldados bêbados tiveram a infeliz ideia de invadir o Convento da Lapa, onde as franciscanas, assustadas, se reuniram no entorno da Abadessa Joana para orar. Porém os desvairados soldados puseram-se a bater ao portão para que abrissem no intuito de violar as freiras.
Era como se voltasse no tempo, quando na vestimenta carnal de Clara de Assis expulsara os sarracenos do Convento.  Num átimo, após ouvir os estalos do portão que se quebrava, a abadessa ordena a suas religiosas que fujam por outra saída, enquanto se dirige para a entrada.
A porta abre-se e diante da tropa está Joana Angélica de Jesus, hábito branco até os pés, manto azul sobre os ombros, véu preto ocultando-lhe a cabeça, rosto sereno, diz: “- Para trás, bárbaros! Respeitai a Casa Senhor! Aquelas portas caíram aos vaivéns de vossas alavancas, aos golpes de vossos machados. Esta passagem, porém, está guardada por meu peito e não passareis senão por sobre o cadáver de uma mulher”.
Após alguns instantes de silêncio os soldados adentraram o claustro, guardado pela abadessa, e cruelmente mataram-na. Uma baioneta atravessa-lhe o peito. Ela cruza as mãos sobre a ferida e tomba morta. E a soldadesca sai em busca das freirinhas que já a esta hora estavam bem escondidas no Convento da Soledade, salvas pelo heroísmo de Joana.
Era 20 de fevereiro de 1822, quando Joana Angélica de Jesus retornou à Pátria Espiritual, e desde então seguindo a programação de contribuir com a implantação e implementação do Evangelho na Terra, Joana, que adotou o nome de Joanna de Ângelis tornou-se missionária do Espiritismo, atuando ativamente com o médium Divaldo Pereira Franco, psicógrafo.
Suas obras são de grande beleza e sempre na intenção de evangelizar e educar a criatura humana. Do átomo ao arcanjo prossegue esse Espirito na sua senda de luz, iluminando por onde passa com um rastro de amor imbatível por Jesus e pela humanidade. Do átomo ao arcanjo, esse é o caminho que todos trilharemos!
Bibliografia:
- Boa Nova – Humberto de Campos – Francisco Candido Xavier – Ed. FEB
- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Ed. FEB
- A veneranda Joanna de Ângelis – Celeste Santos e Divaldo P. Franco – Ed. Leal
- Joanna e Jesus: Uma história de amor – Cezar Braga Said – Ed. FEP
- Revista Espírita, Fevereiro de 1868 – Instruções dos Espíritos.
- Fonte Viva – Emmanuel – Francisco Candido Xavier – Ed. FEB
- A Bíblia de Jerusalém.
- Sites visitados em: 17.05.2015:

A INVEJA

SER OU NÃO “SER” ESPÍRITA (“PROSELITISMO”?)
Sonia Theodoro da Silva
“A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo” (Merleau-Ponty) Há tempos tenho ouvido a seguinte frase: não devemos obrigar as pessoas à adesão espírita, pois isso é fazer proselitismo. Em outra ocasião, alguém disse: cada criança ou jovem deve escolher o seu caminho, afinal, Kardec disse que o Espiritismo não é pros-elitista. Em todos esses momentos citados, com algumas variantes, mas sempre com o mesmo sentido, sentimos que a dúvida permaneceu no ar: afinal, o que é ser espírita? Mas o mais interessante é: o que é ser pros-elitista? E ainda, por que a preocupação reinante no pensamento dessas pessoas de não demonstrarem a sua “adesão” ao Espiritismo? Em que isto estaria confrontando outras religiões, ou doutrinas, ou crenças?
Ou será que desconhecemos o que é ser espírita de verdade? Se lançarmos algumas perguntas, tais como: qual o papel do espírita para consigo mesmo e a sociedade, em que o conhecimento dos princípios espíritas poderia mudar radicalmente o enfoque da vida das pessoas, aqui ou em qualquer outra parte do mundo (desde que aceitos, claro); teríamos uma avalanche de “não sei muito bem, mas... acho que …, bem, penso que…”. Pois bem, é justamente aí que o “ser espírita” entra em questão. 
Vamos por partes, muito embora as alternativas que ofereçamos a seguir obviamente não sejam abrangentes, pois se o fossem, também estaríamos limitando as possibilidades humanas de especularem a favor do bem viver, conforme a bússola que a Filosofia Espírita nos oferece. 
Comecemos por definir o “ser espírita” como um movimento de transgressão, que aqui não se trata do significado de fomentar revoltas, mas pensar e agir contra a maré do senso comum e apresentar novas alternativas para o bem viver individual e coletivo através do conhecimento sólido e bem estruturado de seus princípios condutores da Vida.
Por exemplo, todos sabem que a ética é uma disciplina das atitudes, porém, nem todos tem o alcance moral desse conceito. Jesus nô-la oferece quando diz do “amar ao próximo como a si mesmo, ” A Filosofia Espírita naturalmente amplia esse conceito quando detalha o poder dos efeitos sobre as causas determinantes, ou seja, pelo fato de vivermos num plano evolutivo moral onde o determinismo se manifesta como efeito das causas morais geradas por nós. Mas não há, então, determinismo divino? Sim, há determinismo divino que se manifesta através das leis que repousam na consciência humana (v. O Livro dos Espíritos, Terceira parte, Leis Divinas ou Naturais).
Quanto mais evoluído é o ser, maior será a consciência dessas leis, é quando ele próprio se expande, independente do espaço existencial em que se encontre, como encarnado ou desencarnado, numa cosmovisão que abarca a realidade de uma perspectiva inédita.
Este é o condicionamento das Leis; a evolução do Espírito. E quanto ao livre-arbítrio? Está inserido nesse movimento de tomada de consciência dos conteúdos das leis em si, na Inter existência, já que a liberdade faz parte desses conteúdos. Quanto à moral, ela qualifica esse processo, conduzindo o ser para o reto caminho do pleno Amor. Tal como Jesus disse e fez.
Isto significa que não temos alternativas, nem poderes para evitar as consequências das más ações, pensamentos e atitudes, atraindo para nós a intensidade do mal praticado, quando consciente, sem remorsos ou retratação (aqui não se trata de Lei de Talião, instrumento de contenção das leis mosaicas). Citemos como exemplo um sentimento dos mais perniciosos e ainda vigente no coração humano; a inveja.
A profa. Olgária Mattos, da USP (Filosofia), define ética, hoje, como o conjunto de experiências valorativas agregadoras, ou seja, na prática, trata-se de prudência nas ações, boas maneiras, valorar a palavra empenhada, a boa educação. PORÉM, Em algum momento, perdemos a capacidade de vivenciar tais valores, que são vistos como mero formalismo e perda de autenticidade. Uma das consequências, é o sentimento de inveja, visto como processo universalizado: o padrão “quero o que o outro tem”, foi substituído pelo “não quero que o outro tenha. ”
Segundo a professora Olgária, ISSO PODERIA CARACTERIZAR um estado de guerra de todos contra todos. Segundo Dorrit (in: VENTURA, Inveja, o mal secreto, pg.18), a inveja é um sentimento inconfessável e tão insidioso que faz com que os outros seis pecados capitais pareçam até “invejáveis”: pode-se controlar a cobiça e acalmar a ira; seria possível sublimar a luxúria e saciar a gula; o orgulho não chega a ser mortal e a preguiça não é um estado irreversível.
Mas a inveja, não, ela é inesgotável, sorrateira, calculista, cumulativa, duradoura, sub-reptícia, incontrolável ou, poderemos resumir numa só frase: um eterno descontentamento consigo mesmo. Segundo o autor, detalhar a inveja seria penetrar no âmago dos sentimentos e emoções menores do invejoso que vê no outro, não o seu semelhante, mas um adversário permanente. A cobiça é competitiva.
A inveja, destrutiva. O filósofo italiano Norberto Bobbio define a inveja como o sofrimento diante do sucesso alheio. Gore Vidal, escritor norte-americano assim diz: “quando um de meus amigos tem sucesso, alguma coisa em mim se apaga. ” O invejoso é um sofredor contumaz, Está sempre atento observando as conquistas alheias e se perguntando porque ele próprio não as consegue.
Em nossa cultura brasileira, ela foi associada ao mau-olhado, constante da própria etimologia da palavra inveja: invidere, em latim, tem essa conotação de olhar enviesado, de soslaio. Em outro artigo de nossa autoria, “O poder da palavra” (in: SILVA, Sonia Theodoro, de Espiritismo, Fev. 2000, pg. 030), personificamos o sentimento da inveja em Iago, homem de confiança de Othelo, e que, no entanto, concorre para a sua desgraça, na impecável peça teatral de William Shakespeare.
O espírita estaria indene a tais sentimentos perniciosos? De forma alguma. Contudo, procurando saber de suas causas, estaria dando um primeiro passo para a sua solução. Mas o espírita é o único a interessar-se por essas “causas”? Mais uma vez, de maneira nenhuma.
A inveja é assunto das religiões (vide a saga de José, no Antigo Testamento, invejado pelos próprios irmãos que tramam a sua morte), dos consultórios de psicanálise, das ciências psicossomáticas, da própria filosofia, da literatura, como citamos. Porém, o espírita terá um instrumento valioso de análise comportamental, ao buscar não nesta existência, mas na precedente, ou precedentes, as causas que motivaram ou ainda que deram origem ao seu sofrimento atual.
Portanto, o ser espírita é muito mais do que apenas conhecer tais sentimentos. É conhecê-los, e tratá-los sob um ponto de vista muito mais amplo do que o dos analistas, restritos ao momento presente. Sem dúvida que o conhecimento espírita propiciará ao padecente de tais sentimentos os recursos para optar por uma terapia regressiva que tente colocar um final nessa questão, pois o sofrimento contundente– outro conceito mal compreendido – também age como mecanismo de despertamento consciência, fazendo desabrochar as sementes de amor que jazem latentes no interior dele próprio, e que, quando balsamizadas pelas águas suaves de um Evangelho plenamente aceito, o premiará com a compreensão dos exemplos magníficos de tantos missionários do Bem, despojados da arrogante vaidade, por isso missionários. Mas voltemos aos conceitos. Proselitismo é o mesmo que sectarismo, partidarismo, Prosélito é aquele que, muito mais que adepto, é correligionário, partidário.
No campo das religiões dogmáticas, o proselitismo levou, no passado, à ortodoxia, que incentivou a violência física, o banimento, o desterro, a proscrição, condenação, a morte de livres pensadores como Pedro Abelardo, Galileu Galilei, Copérnico, Jan Huss, Wycliffe, Lutero, Tyndale, e centenas de outros, muitos dos quais anônimos. Tudo isto tem influência cabal em nossa visão de mundo, já que somos herdeiros de nossa própria história.
Aceita-se o Espiritismo mas não se alcança a sua proposta. Esta passa a ser apenas um componente de um “compromisso doutrinário”, como se a sua constituição fosse apenas regulamentar, institucional, pros-elitista, nunca consciência. “Frequenta-se” ou “trabalha-se” num centro espírita com a mesma postura dispensada à uma igreja ou a um lugar público qualquer; preservam-se cargos, perdem-se os conceitos sublimes da responsabilidade pelo desenvolvimento da consciência alheia, do próximo mais próximo, aquele, que Jesus nos indicou como irmão, irmã; aquele semelhante cuja liberdade Gandhi e Luther King defenderam com a vida, Chico Xavier com a sua firmeza de caráter manifesta pela ternura autêntica, Como Denis, cujo intelecto foi buscar, na periferia de Paris, almas para educar.
Todos inspiraram e continuam inspirando seguidores, não de suas personalidades, mas de seus conceitos de vida, de firmeza de posição, de propósitos, de amor à Vida em seu conceito mais amplo (ainda os conceitos). Portanto, aceitar a Filosofia Espírita não é apenas frequentá-la, dispensando-lhe favores, como numa obrigação consensual, É transgredir, como dissemos antes, com o senso comum simplista, simulacro de verdade que não se sustenta, pois tem suas bases na impermanência.
A proposta filosófico-espírita muda a visão de mundo, o olhar cotidiano, como se mudássemos a paisagem de nossas janelas. René Magritte pintou um quadro, cujo título é “La clef des champs” (A chave dos campos), que ilustra este artigo. Esta é uma expressão francesa que sugere a liberação de todo constrangimento físico e mental.
A Filosofia Espírita libertas mentes de seus sistemas, mas muito mais que isso, transporta-as para fora das suas janelas, para que o mundo seja visto como ele é, e as pessoas, como portadoras de suas legítimas competências e virtudes latentes. A Filosofia Espírita, sem fechar questões, indica-nos o caminho certo para aprofundá-las, com o apoio do livre pensar.
Este, certamente, poderá ser o caminho reto e seguro para o ser espírita, Inter existente e possuidor de todos os seus atributos eternos e imutáveis. Bibliografia: KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos; PIRES, J.H. O Centro Espírita, Introdução à Filosofia Espírita.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

QUE AVANÇO TECNOLÓGICO?

VEJA
É neste grande, simples exemplo: (GESTÃO DE UM BOM MÉDICO HONESTO), que acabamos de ver, por meio de um VÍDEO, fazer um bebê escutar claro e limpo no SOM de várias crianças e bebês. O Brasil tem que LUTAR por uma EDUCAÇÃO melhor, de buscar nesta GERAÇÃO do século XXI, jovens inteligentes, altamente capacitados a desenvolver mecanismo para um FUTURO melhor para todos no PLANETA TERRA

segunda-feira, 4 de junho de 2018

VAMOS AJUDAR ESTA CAUSA?

VAMOS AJUDAR NOSSOS IRMÃOS
BANGLADESH S.O.S
Eu estou VIVO agora mesmo de um Espaço Amiga da Criança no campo de refugiados de Katupalong em Cox's Bazar, Bangladesh, discutindo os efeitos da crise de refugiados de Rohingya nas crianças que foram desenraizadas e forçadas a fugir de suas casas. Também compartilharei algumas informações sobre o trabalho da UNICEF para fornecer suporte que salva vidas para essas crianças.
Nossos irmãos no Bangladesh
Os irmãos de Taizé vivem no Bangladesh desde 1974. Depois de alguns anos em Chittagong, foram para a capital, Dhaka. Desde 1987, estão em Mymensingh. Desde o início, apostaram muito nos jovens, pela criação de pequenas escolas para os pobres - actualmente, existem sete; pela procura de meios para ajudar os estudantes a prosseguirem os seus estudos; pela organização de encontros regulares de oração e de reflexão em diferentes regiões do país. Um dos irmãos ensina no grande seminário de Dhaka desde há perto de trinta anos.
Uma preocupação importante, ao longo dos anos, é o acompanhamento das pessoas deficientes através do «Centro comunitário para os deficientes», e as peregrinações para pessoas com deficiências físicas ou mentais, organizadas em diferentes partes do país.
Os nossos irmãos trabalham não apenas com os Bengalis, mas também com pessoas de diferentes tribos, em particular nas aldeias. Tentam promover a compreensão entre os cristãos de diferentes confissões, e com pessoas de religiões diferentes. A vida dos irmãos em Mymensingh encontra o seu ritmo perfeito na oração, três vezes por dia.
Todas as manhãs, seis dias por semana, entre as 6h e as 15h, pessoas doentes e muito pobres vêm à nossa casa. Durante os anos que temos passado em Mymensingh temos podido ajudar imensas pessoas extremamente pobres que, de outro modo, não teriam a mínima hipótese de obter tratamento médico. Uma das consequências da pobreza no Bangladesh é a de muita gente não ter dinheiro para se tratar quando adoece. Muitos morrem de doenças que poderiam ser facilmente tratadas, simplesmente porque não têm dinheiro para comprar os medicamentos ou ir ao hospital.
Aqueles que vêm sabem que nós só podemos ajudar os mais pobres de entre eles e que, mesmo sendo pobres, lhes pedimos uma pequena contribuição de acordo com as suas possibilidades. Se não podem pagar todos os medicamentos pagam apenas alguns ou então participam nas despesas da viagem. Às vezes, para eles, é mais fácil fazerem-no com produtos da sua aldeia.
Tratar dos doentes é evidentemente algo de muito bonito, mas nem sempre é fácil. Por exemplo, há pais que, quase curados, deixam o hospital antes da cura completa porque sabem que fazem falta aos seus filhos e que estes não podem esperar mais. Depois de alguns meses, ou mesmo semanas, têm que voltar de urgência ao hospital e nós temos que começar tudo novo.
Monir
Entre os que temos podido ajudar está o Monir, um jovem de 19 anos. Ganha a vida nas ruas a recolher papel velho, latas de conserva, ferro, etc. É muito pobre e, como muitos dos pobres, quando apanha o comboio para ir de uma cidade à outra viaja sobre o tecto. Se viajarem sobre o tecto não têm que pagar bilhete. Uma noite, quando viajava em cima de um comboio, três heroinómanos começaram a pedir a cada passageiro que lhes desse 30 takas do Bangladesh (cerca de um quarto de dólar americano). Monir deu-lhes apenas 20 takas. Eles ficaram furiosos e atiraram-no abaixo do comboio. Ele conseguiu não cair de cabeça, mas fez uma fractura grave da perna ao entrar por um campo de arroz adentro, onde esperou até ao amanhecer.
De manhã, um homem ouviu-o chorar. Levou-o à estação de comboios, onde uma mulher que lá vive teve pena dele e tratou de conseguir que fosse admitido no hospital público. Depois ele veio ter connosco para nos contar o que se tinha passado, pois nós conhecemos quase todas as crianças e famílias que vivem no bairro de lata perto da estação.
O hospital de Mymensigh é enorme, com cerca de 1000 camas, mas há muitas pessoas a dormir também no chão. Monir tinha duas fracturas na perna e muitas outras feridas. Quando as feridas ficaram curadas, os médicos operaram a perna. Levou-lhe muito tempo até conseguir voltar a andar correctamente. Durante os nove meses seguintes ajudámo-lo a pagar o tratamento numa casa para pobres com deficiência. Mais tarde, conseguiu encontrar um emprego num restaurante, não muito longe da sua aldeia natal. Vem de vez em quando visitar-nos a Mymensingh e é sempre uma alegria enorme falar com ele!
Common prayer in Mymensignh
Abril de 2009
Um dos irmãos que vive na fraternidade do Bangladesh escreveu as seguintes linhas, depois de ter viajado no norte do país: «Regressei ontem a casa, depois duma viagem de uma dúzia de dias. Visitei cinco paróquias. Primeiro estive em Dinajpur, na paróquia de Suihari, onde houve um encontro ecuménico de três dias que reuniu uma centena de jovens de diferentes igrejas.
Depois visitei outras quatro paróquias, onde animo encontros com jovens que recebem uma pequena bolsa de estudos... Em Chandpukur, «o lago da lua», começámos a reunir este ano um grupo de jovens, no qual participam cerca de vinte estudantes. Estiveram reunidos sábado passado. O tema deste mês é o chamamento de Cristo: «Vem e segue-me».
Os encontros decorrem sempre com muita simplicidade: introdução e tempo de reflexão pessoal, partilha em pequenos grupos e reunião final com todos juntos. Os jovens não estão habituados a este tipo de encontros nem a falarem sobre a sua própria vida. Mas pouco a pouco há algo que cresce, encorajando-os a caminhar na fé. Os jovens vêm todos de famílias simples e fazem parte de grupos étnicos diferentes, como os Santals, os Uraos ou os Mahalis.»
Fevereiro de 2009
Um dos irmãos escreve: «Esta manhã trabalhámos muito ‘terra a terra’ no grupo de paz de que sou animador há dois anos. Temos regularmente encontros com orações inter-religiosas (algo muito simples, com momentos de silêncio), em que partilhamos sobre o sentido dos conflitos e da paz no mundo em geral, entre as pessoas e em nós próprios. Também vamos visitar escolas e falar com jovens e crianças. Mas como poderemos encontrar algo concreto para fazermos?
Em frente ao edifício onde nos reunimos, há um terreno vazio onde facilmente se acumula lixo, deixando o cheiro desagradável muito forte espalhar-se por toda a rua, sobretudo na estação quente do ano. Por isso, no grupo, alguém propôs que transformássemos a lixeira num jardim! Fomos à Câmara Municipal e, depois de termos o sinal verde das autoridades, tirámos de lá as vacas que vagueavam por ali e pusemos uma cerca. Esta manhã limpámos tudo e agora podemos plantar árvores, para evitar que o local volte a ser o que era. Podemos perguntar-nos o que é que isso tem a ver com a paz. A paz é uma palavra, um conceito muito grande e profundo. A paz não depende da beleza. Mas a beleza ajuda a construir qualquer coisa que vai no SENTIDO DA PAZ.»
Agosto de 2008
«Estamos a preparar duas peregrinações ecuménicas. Há jovens de diferentes igrejas, em Dhaka e em Dinajpur, que assumem esta preparação visitando famílias, procurando os deficientes nas famílias cristãs e outros jovens para ajudar... Em Outubro e Novembro vamo-nos reunir durante dois dias para tempos de oração e partilha. São novamente os mais fracos que ajudam os cristãos divididos a estar juntos ao serviço dos outros.
Alguns jovens que vivem conosco irão uma vez por mês animar um tempo de partilha e uma vigília de oração numa aldeia ou vila onde outros jovens (que nós apoiamos para poderem estudar) ajudam crianças pobres. Talvez encontremos nestes serões de comunhão uma nova forma de estar com os jovens. Na semana passada enviámos jovens por dois dias a Rajshahi: houve uma oração e um encontro com cristãos num dia e no dia seguinte uma oração inter-religiosa com deficientes. Alguns dos jovens que vivem conosco tem maturidade para animar estes pequenos encontros, mesmo sem a nossa presença. »
Julho de 2008: algumas viagens
«Acabo de chegar de uma visita a algumas famílias da região de Dinajpur. Houve casamentos nas famílias de jovens que conhecemos bem, que trabalham conosco em Mymensingh. Estava a chover e tudo decorreu num local cheio de lama... Foi muito bem encontrar tantas pessoas! O Dipok, que está agora em Taizé, vem desta região.
Em Khulna, depois de várias tentativas sem sucesso, tivemos finalmente uma peregrinação de confiança com deficientes. Estavam cerca de 200 deficientes cristãos, com as suas famílias, um grande grupo de jovens voluntários (muitos deles tinham participado no encontro de Calcutá) e no sábado vieram mais 50 deficientes muçulmanos com as respectivas famílias. A oração inter-religiosa ao meio-dia reuniu uma pequena multidão à volta de cânticos muçulmanos muito bonitos, cantados por um jovem cego, e de testemunhos de mães muito pobres (vindas de famílias onde o pai não está presente).
D. Theo esteve conosco e o bispo local veio para o final do encontro. Eu viajei com os jovens voluntários: dez horas de autocarro! A oração com velas, no sábado à noite, foi uma celebração muito festiva...»
Possibilidades para uma mudança histórica
Dois dos irmãos participaram recentemente num encontro com trinta muçulmanos e trinta cristãos, reunidos pela Faculdade de Religiões do Mundo da Universidade de Dhaka e pela Comissão Episcopal para o Diálogo Inter-religioso da Igreja Católica do Bangladesh. Eles escrevem: «O tema foi uma carta escrita, no ano passado, por 138 intelectuais e outros muçulmanos, dirigida ao Papa e a diversos responsáveis cristãos.
A carta é muito bonita e abre possibilidades para uma mudança histórica nas relações entre as duas maiores religiões do mundo. A conferência decorreu com o mesmo espírito de abertura, poder-se-ia até dizer muito nobre, e regressámos a casa animados e cheios de frescor. Como alguns participantes disseram, há boas razões para já não nos sentirmos distantes uns dos outros... Decidimos tentar traduzir imediatamente o que compreendemos em ações concretas com os pobres. As pessoas são unânimes sobre a importância de não deixar este momento desaparecer nos vapores de discursos bonitos.
Devemos estar atentos ao que se vai seguir. No contexto da grande população do Bangladesh, isto foi muito pouco; mas os sinais contam e, se a boa vontade permanecer e for gradualmente concretizada, então haverá algo de bonito e importante. O Bangladesh é um país onde este tipo de iniciativas pode dar frutos. Participaram vários bispos, católicos, anglicanos e metodistas, e cristãos de diferentes origens. »
Uma visita a Barisal
«A nossa visita, de uma dezena de dias, à região de Barisal (no sudeste do país, onde houve o ciclone no ano passado) correu bastante bem. Pudemos cumprimentar muitas pessoas que conhecem bem os irmãos há muitos anos, desde o início da nossa fraternidade no Bangladesh. Pude constatar que em geral as pessoas receberam ajuda material depois do ciclone, através de várias organizações caritativas. E parece que globalmente as coisas foram bastante bem organizadas. Mas atualmente a situação económica no Bangladesh é realmente muito má. Nestes últimos meses, a vida quotidiana tem-se tornado cada vez mais difícil. Por vezes a situação é mesmo muito preocupante...
Nas últimas semanas, quando visitamos as famílias muito pobres que conhecemos, às vezes constatamos que estas famílias que antes comiam duas vezes por dia (refeições muito simples, sobretudo à base de arroz) se têm agora que contentar com uma só refeição diária, pois tudo está caríssimo. Também vimos algumas famílias que, nos últimos dias, nem sequer conseguiram tomar uma refeição por dia. Os pais estão muito preocupados com as crianças. Desde a semana passada, começamos a dar arroz a cerca de trinta famílias, que de outra forma não teriam nada para comer. Faremos esta distribuição nos dois próximos meses, até chegar ao mercado a nova colheita de arroz. Esperemos que entretanto a situação possa melhorar! »
VAMOS AJUDAR - NÃO CUSTA NADA

sexta-feira, 1 de junho de 2018

ACESSIBILIDADE

Acessibilidade na Suécia é cartão  postal
Suécia: um país exemplo em acessibilidade
A acessibilidade no Brasil ainda não é uma realidade para todos, em virtude dos 69.024 mil políticos, além de roubar muito, pensam neles próprios e não estão nem aí para grande população e a maioria pobre abaixo da pobreza. Mesmo que por aqui – segundo os últimos dados do IBGE – praticamente 1/4 da população tenha algum tipo de deficiência, é notável que dias melhores para essa parcela da sociedade ainda demorarão muito e muito a chegar, infelizmente.
Pelo menos essa é a sensação quando se compara a condição da acessibilidade no Brasil com outros países. Tomando como base a Suécia, que é considerada como uma das nações mais preparadas do planeta quando o assunto é acessibilidade, este fato fica mais que claro.
O país nórdico tem uma população de cerca de 9,9 milhões de pessoas e aproximadamente 1,5 milhão delas apresenta algum tipo de deficiência, número que proporcionalmente é bem menor que os índices brasileiros, já que por aqui a cifra chega a mais ou menos 45,6 milhões de indivíduos.
O natural, portanto, seria que o Brasil fosse um ícone de acessibilidade e não a Suécia, já que, ao interpretar os números acima, percebe-se que as necessidades de políticas de inclusão por aqui são bem mais urgentes. Há quem diga que não caiba qualquer comparação, já que os suecos estão entre os países mais ricos e que mais se cobra impostos da população no mundo, o que levaria a acreditar que este seria o motivo dos ótimos serviços prestados à população por lá. No entanto, o Brasil também figura entre os países com mais altos impostos do planeta, mas a realidade que se vê por aqui é totalmente diferente.
Embora no Brasil tenha havido avanços com relação à acessibilidade, principalmente com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146 de 6 de julho de 2015), que no papel assegura condições de igualdade, além dos direitos e liberdades fundamentais às pessoas com deficiência, a realidade na prática, porém, ainda é pouco promissora. Os políticos ladrões, estão pouco se lixando pela pobreza e acessibilidades 
Especialistas em arquitetura e urbanismo apontam que por aqui não existe uma cidade sequer que possa ser considerada exemplo em acessibilidade e isto se daria pelo fato de que são priorizadas soluções pontuais e não planejamentos amplos na infraestrutura. Outro ponto importante é a escassez da discussão do tema nas mais diversas esferas da sociedade e nos meios de comunicação de massa.
Suécia iniciou projeto de acessibilidade há duas décadas
Enquanto as políticas públicas e o investimento na acessibilidade não decolam de vez no Brasil, na Suécia esta já é uma realidade há quase 20 anos, pois foi em meados dos anos 2000 que o governo sueco iniciou as medidas de adaptação pelas cidades do país. Em Estocolmo, por exemplo, existe uma equipe que trabalha na questão da acessibilidade junto a representantes da sociedade por meio de reuniões mensais e diálogos com as autoridades. 
Este departamento faz, por exemplo, dois Tours anuais para os especialistas no assunto verifiquem a melhor maneira de fazer as adaptações nas cidades. Para se ter uma ideia, de acordo com a coordenadora de Projetos do Departamento de Urbanização da cidade de Estocolmo, estes técnicos contam até com a tecnologias para compreender melhor a situação das pessoas que necessitam da Acessibilidade: Eles usam uns óculos que simula a visão de pessoas com problemas óticos e cadeirante para terem a noção real de como estar na condição de deficiente. O resultado de todo este investimento feito a quase duas décadas?
Praticamente todas as calçadas suecas contam com pisos táteis de alerta e direcionais, corrimões e sinalização contrastante em todas as escadas, rampas por todo lugar, meios-fios acessíveis para a entrada de veículos nas paradas de ônibus, alertas eletrônicos que indicam os destinos dos transportes públicos, ônibus e metrôs equipados com elevadores, hotéis totalmente acessíveis, entre outras medidas primordiais de inclusão. Enquanto em terras tupiniquins o avanço da acessibilidade tarda a chegar para todos, que a Suécia sirva como exemplo. Confira um pouco da realidade sueca.

terça-feira, 29 de maio de 2018

PERIGO DE MORTE - SUPERMERCADOS

VEJA ESTE VÍDEO
O que é Anisakis? É um verme nematoide, verme cilíndrico cerca de 3 cm de comprimento, 1 mm de espessura e quase transparente esbranquiçada. Moram em ambiente marinho, e infecto os mamíferos e peixes. Localizada nas vísceras de peixe normalmente, mas também na pele e dos músculos.
Para o homem é contagioso quando você está com a larva, a terceira fase de seu ciclo de vida. Seu ciclo de vida tem vários hospedeiros em toda a sua vida Os ovos são ingeridos por crustáceos os peixes se alimentam destes, onde o parasita adere à parede do intestino e ganha proteção para se amadurecer.
Concluindo o ciclo de vida de um mamífero marinho quando foi alimentado a partir de um animal infectado. No intestino do mamífero, adulto se lançar ovos e água é para repetir o ciclo.
Os Anisakis podem infectar os seres humanos que comem peixes crus ou cozidos a baixas temperaturas. Alguns peixes que podem contê-lo em seu intestino são: sardinha, bacalhau, anchova, salmão, pescada, cavala, bonito, tamboril e um pouco mais.
Causas de infecção por Anisakis
Anisakis é a doença que provoca o parasita e atua nos seres humanos como hospedeiros acidentais, pois não é o seu objetivo final. Assim ANISAKIOSIS parasita desenvolve ao tentar penetrar na mucosa do trato gastrointestinal, causando vómitos, diarreia, dor abdominal, febre e náuseas. Algumas pessoas têm uma reação alérgica a este verme, peixe cozido mesmo.
Os casos extremos são aqueles que apresentaram alergia Anisakis embora a comida contenha parasitas mortos.
Os sintomas de Anisakis
Aguda geralmente se manifestam entre 1 e 12 horas após a ingestão de um produto parasitados. Os sintomas são semelhantes aos de uma úlcera péptica, e são os seguintes:
- Dor na parte superior do abdómen.
- Náuseas e vômitos.
- Alguma febre.
- Os doentes alérgicos a Anisakis, eczema também presentes na pele e, em casos extremos, pode atingir o choque anafilático.
Dieta
Uma parte da medicação necessária de antiácidos, a dieta deve ser alcalina, garantindo que não há produtos de ácido em excesso, e que deve diminuir a irritação e regeneração da mucosa, que podem ser danificadas pela infecção e do verme. Ser evitado, especialmente alimentos com gorduras saturadas, altamente refinados e proteínas, e deve aumentar o consumo de vegetais, frutas e grãos integrais.
Como evitar Anisakis
Remover as vísceras do pescado logo que possível para evitar que o sem-fim é dirigido para os músculos e órgãos. Cozinhar os peixes a uma temperatura de 60 ° C, mínimo de 10 minutos. A medida é mais eficaz para inativar antes de ingerir o alimento, e é conseguida por meio de congelação, uma vez que são sensíveis ao tratamento térmico. Peixe de congelação sempre mínimo cerca de 48 horas a -20 ° C, antes do consumo. Eles são também resistentes a concentrações de sais e ácidos orgânicos.
Tratamento Natural
De acordo com estudos realizados pela Universidade de Granada, alho (A. Sativum) é útil contra as larvas em nível vitro. As infusões de gengibre e Nux Vômica tratamento homeopatia pode ajudar a infecção Anisakis. Em todos os casos, recomendamos consultar o seu médico, terapeuta ou outro profissional de saúde qualificado. A informação contida neste artigo é apenas para fins informativos. 
Consumidor, deve ficar atento à qualidade do peixe
SUSHI – 16-05-2017/2018
Sushi. “Peixe cru ou mal cozinhado é fator de risco”
Se é um amante de sushi, cuidado. O Anisakis está presente no peixe e só é eliminado através da congelação ou da cozedura. A infeção por este parasita, em casos extremos, pode ser fatal.
A maioria dos restaurantes de sushi servem peixe fresco para manter as propriedades
Anisakis simplex. É este o nome de um parasita (uma larva) muito comum presente no peixe de mar e que, quando ingerido pelos humanos, pode provocar uma infeção (Anisakis) que em casos extremos leva à morte. O peixe cru e mal cozinhado é um fator de risco, alertam especialistas, que aconselham a congelação ou a cozedura do pescado antes de ser consumido.
A agência norte-americana que regula os alimentos e os medicamentos (FDA) recomenda que se cozinhe o peixe do mar a uma temperatura sempre superior a 63º C ou que se congele o peixe durante sete dias se a temperatura rondar os -20ºC; por 24 horas se congelado a -35ºC e armazenado a -20ºC ou por 15 horas se congelado e conservado a -35ºC.
Para a investigadora do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Maria João Gargaté, a “temperatura ideal de cozedura é a fervura”, ou seja, os 100ºC, ou então a congelação. “Os parasitas só são inviabilizados, só morrem, ou com congelação ou com fervura”, afirmou ao Observador, chamando a atenção para os riscos do sushi, mas também da tradicional sardinha assada.
O assado ou grelhado ‘mal passado’ é sempre um fator de risco. Atenção que fumado também”, rematou a responsável pelo laboratório nacional de referência de infeções parasitárias e fúngicas (Reino Fungi é um grupo de organismos eucariotas, que inclui micro-organismos tais como as leveduras, os bolores, bem como os mais familiares cogumelos. Os fungos são classificados num reino separado das plantas, animais e bactérias), do INSA (O Instituto Nacional do Semiárido).
Assim, a especialista refere que a forma mais segura de comer sushi é se o peixe tiver sido previamente congelado. Mas será essa uma prática comum nos restaurantes que servem esta iguaria?
“Normalmente servimos o peixe o mais fresco possível.Sabemos que existe uma regra que é congelar o peixe antes de ser servido, mas que eu saiba ninguém faz isso. Perde-se muita qualidade no processo de congelação, ficam muito aguados”, defendeu o Sushiman Aron Vargas, que tem dois restaurantes em Lisboa (S. Sebastião e Picoas).
Quanto ao dito parasita, Aron garante que “dá para ver logo” quando está presente no peixe, “sobretudo nos carapaus, na sardinha e nas cavalas, mais do que no salmão e no atum”. “Quando conseguimos ver as bolinhas brancas a olho-nú, deitamos logo o peixe fora. ”
Além disso, acrescentou o Sushiman, “aconselhamos a comer o sushi com Wasabi porque é antibacteriano”.
Também Cícero Costa serve peixe fresco no Aya Bistrôt, na Cova da Piedade, em Almada. “A tradição dita que o sushi tem de ser com peixe fresco. O sabor do peixe congelado não é igual”, explica o Sushiman ao Observador, adiantando que apenas congela o atum quando compra um peixe inteiro.
Nesse caso, usa uma arca especial, que mandou vir da Austrália, e que congela a 80 graus negativos. “ É o congelamento automático de laboratório. ” Não a usa para congelar peixe mais pequeno (carapau, sardinha, cavala, entre outros) porque a arca tem capacidade para 500 quilos e “gastaria muito dinheiro em consumo energético” para congelar apenas poucos quilos de peixe.